Partilhando Notícias - Jornal da Província
Notícias de Manicoré - AM

Mês de Junho
Mês da alegria. Mês dos festejos. Festejo só é pouco! Mas um mês de intensas celebrações que nos aqueceu o coração, fortalecendo mais e mais o ardor missionário no seguimento a Jesus obedecendo a sua única ordem: Vão pelo mundo ensinado a todos os povos tudo que vos ensinei: Batizando em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Ascensão do Senhor). Eu vos enviarei o Espírito Santo (Pentecostes). Somos convidadas a viver a unidade pelo vinculo da paz... Ef 4,3-6 (a Santíssima Trindade).

O cálice da benção. Somos alimentados pelo Copo e pelo Sangue do Senhor (Copus Cristi) 0 Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração (festa do coração de Jesus) . A única perola que procuramos a busca da vontade de Deus (Santa Paula) Exemplo de doação radical de vida ate a morte por causa do Reino e o Projeto de Jesus Cristo. Através dos Santos: Antonio, João Batista, Pedro e Paulo.

Visitas missionárias ÀS Comunidades de MATUPIRIZINHO e Barreira do Matupiri:


Canta Guilherme Arantes (Planeta água) “Água que nasce na fonte serena do mundo... Águas escuras dos rios que levam a fertilidade  ao sertão, águas que banham as aldeias e mata a sede da população”. 

Navegando pelas águas turvas do Rio Madeira e nas águas límpidas e serenas dos igarapés Matupirizinho, após três horas de voadeira, chegamos até as famílias desta comunidade para convidá-las para um encontro formal para tomarmos conhecimento da comunidade.  Ficamos hospedadas na família de Dona Dalzira que com muita alegria nos acolheu e como sempre partilhando um pouco do peixe e da farinha, que por sinal muito gostoso.

 Interessante, que assim que agente chega às crianças também vão se achegando devagarzinho quando vê está cheio... Que coisa linda! Irmã Divina com seu zelo e interesse pela saúde natural foram ensinar umas pessoas a fazerem o tratamento de suas dores com o barro e depois com a sobra deu uma excelente catequese para as crianças, usando o barro para falar da criação do mundo, da beleza e das riquezas de nossa Mata Amazônica.   Às 16h00min foi a vez das brincadeiras com elas, orientadas pelas Irmãs Maria José e Divina, com direito à sorteios e pirulitos. Foi uma tarde gostosa, divertida e festiva. Após a recreação das crianças, as Irmãs Maria do Carmo e Divina fizeram um encontro com os adultos, por incrível que pareça estavam todas as famílias unclusive as duas famílias evangélicas.

No dia 5 domingo da Ascensão do Senhor celebramos o culto com todas as famílias católicas da comunidade.  A partir das reflexões das leituras Bíblicas principalmente do Evangelho Mt 28,19-20- Vão façam que todos os povos se tornem meus discípulos..., surgiu espontaneamente um grupo para coordenar a comunidade  que estavam parada  há um bom tempo. Louvemos o Senhor, como disse a Ir divina: Hoje dia da Ascensão do Senhor, aconteceu o Pentecoste nesta comunidade.

Neste mesmo dia após a celebração fomos para a comunidade de Barreira do Matupiri. Comunidade de apenas cinco famílias. Lá visitamos as famílias. Ficamos hospedadas na casa da família da Ana e Joel.  Ana nos acompanhou nas visitas. Durante as visitas pudemos perceber que esta comunidade é marcada pelo sofrimento, violências e alcoolismo que levam ao assassinato.  Às 6h30m do dia 06, pegamos o barco  para Manicoré, chegando em casa às 10h30m.


Visitas nas aldeias ao longo do Rio Mataura
Etnia “MURA”
Do dia 22 aos 27, viajamos com Dom Francisco, em visita às comunidades indígenas os “Muras” no Rio Mataura.  Foi uma viagem cansativa, longa e preocupante. O barco não estava em condições de fazer uma viagem tão longa, pra vocês ter uma idéia, para chegarmos à primeira comunidade nós gastamos 8 horas sem parar.  O importante é que o cansaço, e as preocupações e até mesmo certo medo do barco alagar, a exuberância da natureza, a limpidez e a tranqüilidade das águas do Mataura nos levavam a estar sempre em sintonia com o CRIADOR de tanta grandeza e tanta beleza, isto nos ajudou a esquecer um pouco o medo e confiar mais na proteção carinhosa de Deus.  A companhia de Dom Francisco foi uma companhia simples agradável, ele é um verdadeiro missionário de Deus. 
No dia 28, o Bispo veio em nossa casa com o Padre Bira para partilhar a nossa visita e ver o que fazer para superar esses grandes desafios desta realidade tão difícil e distante.

Visita às famílias do Igarapezinho
No dia 16 de julho dia dedicado a Nossa Senhora do Carmo, as 07h30m o Sr. Zarito veio nos buscar no porto da Matriz para continuar as visitas nas famílias do Igarapezinho, que ficaram faltando no ano passado.

Viagem para Humaitá
Para coroar estes meses tão cheios de trabalhos, festas e viagens pelo interior. Fomos agraciadas com o retiro espiritual em Humaitá com o tema: Discernimento e vida de oração e discernimento e vida Pastoral. Foram três dias de muito oração, recolhimento e partilhas.

Para fechar com chave de ouro, no dia 31, fizemos a confraternização pelo dia dos religiosos na casa do Bispo, visto que pelas distancias e dificuldades seria impossível realizar no dia 15, como estava programado pela CRB. Na liturgia da Igreja entramos no tempo comum. Nós também entramos no comum do dia a dia que nos leva a buscar a vontade de Deus nas pequenas coisas. Quebrando o ritmo do dia a dia, de 5 à 7 de agosto fizemos o 3º retiro espiritual em preparação as Santas Missões Populares com o tema: Conversão; orientado pelo Padre Firmino.

Viagem para O Rio Matoura


“O Criador conta conosco para fazer a vida germinar e produzir frutos” A partir deste principio que nós, no dia 9 de agosto, mas uma vez fechamos a nossa casa e partimos em missão as comunidades indígenas ( os Muras) dos Rios Mataura Uruá, para cumprir a ordem de Jesus: Vão e  façam com que todos os povos se tornam meus discípulos batizando-os em nome do Pai, e do Filho me do Espírito Santo. Vão ate os confins do mundo. Não tenham medo eu estou com vocês...  Mt 28,19-20.

Desta vez conseguimos chegar ate Curara, última aldeia do município de Manicoré. È realmente o fim do mundo.  Um povo pobre, praticamente abandonado, sem progresso e sem ambição.  É um povo irmão. Acolheram-nos com certa desconfiança, mas logo foram se achegando e a desconfiança foi desaparecendo e não faltavam convites para tomar um café com tapioca. Foi muito boa a nossa a convivência com esse povo durante estes dez dias.

Saímos de Manicore as 09h30 do dia 09 em direção ao Rio Matourá e Uruá. Desta vez o nosso trabalho não foi de visitas e rezas, mas de preparação de pais e padrinhos para o sacramento do batismo.  Esta iniciativa de preparação e batizados foi muito bem aceita e também muito esperada, pois já faz mais ou menos seis anos que não celebram o batizado nestas comunidades.  Em cada aldeia que chegávamos o cacique decretava feriado para que pudessem ficar a disposição das missionárias. Em cada comunidade, passávamos duas noites e dois dias e meio. Em Curara passamos mais tempo.  Fazíamos as visitas nas casas que tinham crianças para batizar na parte da manhã e à tarde dávamos a formação para os pais e padrinhos. No dia seguinte realizávamos a celebração do batismo. Permanecíamos na comunidade até o almoço e partíamos de rabeta ate a próxima comunidade. (sempre as 13h  imaginam o sol do Amazonas neste horário) .  Desta vez fizemos apenas 56 batizados, isto porque muitas crianças ainda não são registradas.

Como não temos barco ficamos hospedadas nas casas, que foi muito bom. Na convivência com eles pudemos  perceber muitas coisas de sua cultura e costumes . Os “MURAS” tem uma tradição muito bonita: Tudo que eles fazem é em conjunto, da  pesca ao roçado.  Ninguém fica de fora, da criança ao idoso. Até os professores entram na dança, se é pesca ele vai pescar também, se for mutirão para o roçado, La ele esta. E se os professores não participarem das atividades será descontado no seu salário, porque o cacique assume realmente o seu trabalho de organização do seu povo, as atividades são muito organizadas. Cada grupo assume uma a atividade quer na vida social da aldeia como nas atividades da Igreja. (Os professores mesmo não sendo indígenas assumem juntas as atividades da aldeia porque a educação indígena é uma educação diferenciada.)

Uma coisa muito importante e concreta que observamos: Eles não têm a Eucaristia. Pão e vinho, Corpo e Sangue de Cristo para comungar, mas eles são unidos, vivem de fato a partilha e se amam.  Que Deus nos de a graça da conversão...

Esta viagem foi do dia 09 a 19 de agosto.  Em tudo demos Glorias a Deus. Amém. Este é um pedacinho da beleza do Rio Mataurá.

     
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