ECOS DE MOÇAMBIQUE - PARTILHANDO A MISSÃO
  Irmã Maria de Lourdes Lima - Moçambique - África

 

Queridas (os) Familia Lima, Irmãs Doroteias,  e amigas da familia Doroteana e Amigos.
                       
Com muita saudade e também com alegria quero partilhar com vocês um pouquinho daquilo que vou vivendo nestas Terras Moçambicanas. É difícil expressar o que sentimos e por isso falamos mais do que fazemos. Espero que sirva para que tenham uma ideia de onde estou. Apesar  de  que a minha contribuição é ainda muito pequenados  frente ás grandes necessidades  que apresenta a realidade e dos grandes desafios estou muito feliz por poder partilhar a minha vida com este Povo  Maravilhoso.
 
                     

A cada uma e cada um de vocês o meu grande abraço, com muito carinho.
                                   Irmã Maria de Lourdes Lima.

 

E C O S  D E  M O Ç A M B I Q U E - P A R T I L H A N D O  A  M I S S Ã O 

                                                                                          


Ao completar um ano que aqui estou, quero partilhar com vocês um pouquinho daquilo que vou colhendo e semeando no meu dia-a-dia aqui em Lichinga.
Como o aroma e o sabor do nosso café brasileiro, vou provando e experimentando a cada dia a Vida deste lindo Povo Moçambicano
Ao chegar aqui em Lichinga senti que havia chegado onde queria estar! E aos poucos, no contacto diário com as pessoas fui sentindo uma grande compaixão e muito carinho por esse povo que eu já amava antes de o conhecer.

 

A realidade da maioria do povo com quem trabalhamos é de muita pobreza ou diria miséria… Tirando os que vivem no centro da cidade, as outras famílias vivem em casinhas de barro e capim, sem energia elétrica, sem água. Cozinham á lenha. A água carregam das nascentes e poços, e são sempre as mulheres que com os seus filhinhos às costas carregam os baldes de água na cabeça subindo morro acima. Assim como os feixes de lenha. Também as crianças participam desse trabalho os homens não. A comida diária dos pobres é “chima com caril” é o que nós conhecemos como polenta, só que é feita com uma farinha de trigo muito fina e o “caril” é uma salsa de folhas de verduras e de algumas plantas, como a azaleia, (ao redor da nossa casa tem um muro de azaléias e as crianças estão constantemente a tirar as folhas para o seu caril.) Quando tem alguma carne ou peixe o caril fica melhor. Os de melhores condições económicas o fazem com carne ou peixe e é muito bom.

 

O Centro Comercial da cidade é um grande Bazar com barraquinhas cobertas de plástico, só a parte das verduras e frutas tem uma área coberta. Ali se vende de tudo… (é com um “shopim center” dos pobres) Existe o que chamamos de feira, com calçados, roupas usadas e outros objetos que são vendidos nas calçadas estendidos sobre a terra. Depois estão algumas lojas e supermercados mais caros, como sempre…

 

 

 

 

 


Nossa cidade de Lichinga, por ser a Capital da Província (Estado) está recebendo um grande aglomerado de jovens que vem em busca das Faculdades que se estão abrindo aqui. Más a cidade não oferecem espaços de Cultura e Lazer sadio para esses jovens, a não ser os “boliches” dos fins-de-semana. Aqui está um grande desafio para a nossa Missão Pastoral.
Um fator interessante é que a maioria dos Catequistas da Paróquia é universitários, masculinos, e muitos vindos de outras cidades.

 

AS Liturgias Dominicais são muito fervorosas, com grande participação dos católicos geralmente duram no mínimo duas horas… e nos dias festivos  são de três a quatro horas Ninguém reclama, nem sai antes de terminar. O mesmo acontece com as festas ou quando te convidam a comer, não tem tempo para terminar e sempre tem que haver a dança, depois de comer.   
Nas Celebrações Eucarísticas todos cantam, e de memória, não tem folhas de canto. ( a não ser o coro em algumas festas especiais). Nos dias festivos, o ofertório é muito generoso, se oferece de tudo desde galinhas até cabritos e muitos géneros alimentícios.
O Ministérios dos leigos é muito valorizado e lhes são oferecidos espaços nas Comunidades para o exercerem. Até na cadeia entre os “reclusos” existe o animador e os ministros da Palavra que animam as Celebrações Dominicais. O responsável pelos jovens e o ancião que é o porta-voz do grupo e também chama a atenção quando algum deles não tem um comportamento adequado durante a Celebração. (A cada 15 dias eu participo da Celebração deles para levar a Comunhão àqueles que se prepararam para recebê-la. Este ano 5cinco reclusos receberam o Batismo, e no final de Novembro outros irão receber o Sacramento do Crisma. “Temos que confiar na graça de Deus e fazer a nossa parte”).
A Religião Mulsumana é também muito forte aqui. Por ocasião do “Ramadá” a grande festa deles até os preços sobem no comércio. Na nossa Escolinha entre quatorze “Monitoras” existem quatro Religiões diferentes… (Eu encontrei ai um grande desafio que é trabalhar a Espiritualidade e as Metas Pedagógicas de Santa Paula com esse grupo, más elas são bastante receptivas.)

NOSSA MISSÃO

Em nossa Missão trabalhamos na Pastoral Paroquial, com algumas atividades a nível Diocesano, e no Campo Social e Educacional.

                            
AÇÃO PASTORAL:

 *Participação na Equipe de Coordenação da Catequese Paroquial. *Formação dos Catequistas. *Catequese de Crisma e Catequese aos reclusos da Cadeia Provincial. *Acompanhamento aos grupos de Jovens. * Acompanhamento e Formação aos grupos das “Mães de Paula”

  TRABALHO NO CAMPO SOCIAL E EDUCACIONAL

Foi criado o Projeto “ Comida pelo Trabalho” que atualmente se chama”Cantinho da Solidariedade” Esse Projeto começou com o objetivo de oferecer uma alternativa de vida a muitos mendigos
que passavam o dia na porta do Bispado a pedir comida.                                                                                   Atualmente ele consiste no que podemos chamar uma grande “Cooperativa” com uma grande plantação de cereais, como o milho (de maior consumo, especialmente pelos pobres), legumes, verduras e frutas; e também a criação de animais (gado, porcos, cabritos, coelhos); e aves (galinhas e pombos); e peixes.

 

Todos esses produtos são trazidos para a cidade e vendidos em uma barraca do mesmo projeto que funciona 12 horas podia.            

Foi criada também uma Escolinha” D. Luis de Gonzaga” consta de um Jardim de Infância e agora com a 1ª e a 2ª classe do primário, esperando chegar até á 5ª se a Providência de Deus nos enviar generosos doadores para seguir construindo as salas que faltam. A Escolinha iniciou-se com a finalidade de acolher os filhos das famílias que trabalham no Projeto.

 

 

 

Atualmente se recebe outras crianças que com a sua remuneração ajudam na manutenção da mesma. As crianças, assim como todos os trabalhadores recebem duas refeições diárias. Os trabalhadores recebem um pequena remuneração mensal. Este ano iniciamos também a Alfabetização de Adultos para os trabalhadores do Projeto.

 

 

 


Acompanhamos também outra Escolinha, Jardim Infantil que se chama “Casa do Sorriso” que foi fundada pelo grupo das “Mães de Paula” daqui de Lichinga. O objetivo principal é acolher a crianças órfãos, más no momento recebe, também outras crianças.

Agora vocês querem saber por onde ando em tudo isso?

 

 
                                                                                                                                                                             * Estou tentando levar a Palavra de Deus aos “reclusos” da Cadeia, é uma missão muito desafiante pois é impossível entrar nesse lugar sem se envolver com os problemas daqueles que lá estão.


    

* Acompanho os grupos de jovens na parte da Formação e Espiritualidade.
* Colaboro na Formação dos Catequista.


*Estou visitando e orientando os grupos das “Mães de Paula” que estão espalhados por várias cidades de nossa Diocese. Visitar cada grupo supõe tempo e coragem, são três dias de viagem com ida e volta porque é preciso tomar os coletivos que saem muito cedo dado que não sabemos se chegamos ou ficamos pelo caminho, os coletivos são combes a maioria bastante deterioradas que tendo espaço para 15 levam até 30 As vezes que viajei eu entrei na combe ás 5 horas e rodamos a cidade até ás 7.30 buscando passageiros para enchê-la, na próxima cidade desceram mais da metade, então ficamos mais uma 1.30 hs procurando novos passageiros para poder prosseguir a viagem. E na volta é a mesma coisa. Em época de chuvas torna-se impossível viajar porque as estradas  são de terra eficam muito perigosas.

 

 *Com as “Monitoras” da Escolinha estou tentando contribuir com a Formação Humana e Espiritual, especialmente sobre a Espiritualidade e Carisma de Santa Paula, os Direitos da Mulher dado que a Violência doméstica é muito forte. Essa é também uma tarefa delicada tendo em conta o grupo pertence a quatro Religiões diferentes, sendo algumas não Cristãs.

 

 

 

 

*Estou coordenando as classes e também assumindo uma classe de Alfabetização de Adultos. Esse é um trabalho muito gratificante, a maioria são Mulheres que depois de uma manhã de trabalho com a enxada ou a cuidar os animais vem com seus filhinhos às costas, cansadas más com muita vontade de aprender a ler, escrever e ao menos assinar o próprio nome.

 

            

Quando tenho um tempinho procuro marcar presença junto às crianças da Escolinha para dar-lhes o meu carinho e atenção, curar as suas feridas e etc. E também recebo delas muita ternura e alegria. Elas me ensinam como se pode ser feliz com tão pouco… A dança e o canto estão no seu sangue, Sabem inúmeros cantos de memória, tudo o que se ensina na Escolinha, basta ouvir uma música e já estão dançando, até os mais pequeninos de dois anos.

           

 

 

 

* A partir deste mês de Setembro estou acompanhando o discernimento de 4 jovens, vocacionadas. Esse foi um presente de Santa Paula porque, justamente no dia 12 de Agosto deste ano se apresentaram três jovens dizendo que queriam ser acompanhadas por nós e conhecer melhor a Santa Paula. E depois apareceu mais uma. (Aproveito para confia-las ás suas orações. Seus nomes: Bendita, Delfina, Gilda e Marta).

 

             * Agora fui convidada a colaborar na equipe doe Direitos Humanos, penso que será uma boa oportunidade para conhecer com mais profundidade a problemática social.
Para finalizar, quero dizer-lhes que depois de um ano já me sinto em casa “com o povo Moçambicano” más estou muito longe de conhecer em profundidade sua cultura e compreender seus costumes. Uma das grandes dificuldades é a quantidade de línguas que se fala, dentro de uma mesma cidade. Só entre as pessoas com quem trabalhamos falam entre cinco ou mais línguas. Na cidade todos entendem o Português (com algumas excepções) Más no interior são muito poucos os que entendem o Português.

            Vou ficando por aqui, desta vez… porque se me estendo muito, terei dificuldade para enviar por email. O ano passado eu havia preparado um PowerPoint para enviar más não foi possível porque ficou muito pesado e o nosso computador tem o mínimo de potência”possível” Desta vez espero poder chegar a todas (os).

 

Deus não quer mais do que aquilo que podemos fazer,
Segundo o caminho que nos abre”
          (Carta 157,4)