Missão das lideranças leigas na vida e
na animação das  CEBs

Região Belém - São Paulo

CEBs, compromisso com a vida

A MISSÃO DAS CEBS


Introdução:  Cada pessoa das CEBs tem sua história pessoal e comunitária, experiências missionária feitas ao longo dos anos.  Seria muito bom se tivéssemos tempo para partilhar essas experiências ricas de fé e vida. Ao pensar nelas, nossa memória já deixa vir à tona algumas que esquentam nosso coração até hoje. Elas nos dão sustentação e fidelidade ao Projeto de Jesus. Essas experiências estão relacionadas à nossa vida/missão na CEBs. É o que vamos refletir hoje.

NOSSO ROTEIRO

1. Desafios para a missão de lideranças leigas na vida e na animação das  CEBs.

2. Décadas 60 a 80 - as CEBs no Brasil e na América Latina.

3. Final da década de 80 e início do Novo Milênio - Tempo mais de escuta.

4. A partir dos anos de 2007 as CEBs continuam escutando, mas com mais ousadia e com perspectivas.


Juntando nossos pedaços

As CEBs são paradigmas ou modelos, referências de se viver em comunidade em vista do Reino de Deus.
CEBs = Kairós

Desafios para a missão de lideranças leigas na vida e na animação das  CEBs

Desafios que o documento da CNBB
apresenta para as comunidades de S. Mateus

•O individualismo das comunidades que não conseguem pensar o coletivo
•Abertura ecumênica e o diálogo inter-religioso.
•Retomar as raízes das CEBs, cuidar da formação dos cristãos para que se tornem discípulas/os missionárias/os de JC.
A cidade grande
•Influencia de vários seguimentos e movimentos dentro da própria Igreja - grupos de oração em nossas comunidades, perdendo um pouco da identidade das CEBs.
•Injeção de ânimo nos grupos de rua; buscar novos subsídios, novos animadores
Pastoral da ecologia
Como dialogar com as novas comunidades que estão surgindo hoje? Como fazer com que se apresente para nós das CEBs?
•Como cativar os jovens para esta nossa caminhada tão importante, para deixar a nossa herança de luta, fé...?
•Como articular os outros setores de nossa Região para a continuidade do agir do discipulado após o Congresso de leigos e leigas?

 

 

 

Os desafios vindos de Aparecida

Em Aparecida, o CELAM, ao analisar a realidade latina americana viu que as condições de vida dos milhões e milhões de abandonados, excluídos e ignorados contradizem o projeto do Pai e desafiam os cristãos a um maior compromisso em favor da cultura da vida. O Reino de vida que Jesus veio trazer é incompatível com estas situações desumanas.(DAp 358).

 

Desafios no Doc. da CNBB 48ª AG

 

1 . A Sociedade globalizada e urbanizada. A lógica do mercado corrói a estrutura de sociabilidade básica que se expressa nas relações de tipo comunitário. (DAp. 44,45)

•Como viver em comunidade?
•Como transmitir às novas gerações as experiências e valores anteriores, inclusive a fé e o modo de vivê-la?

2. Décadas 60 a 80 – Expansão das CEBs no Brasil e na América Latina

As CEBs foram reconhecidas a partir da década de 60, multiplicaram-se enquanto espaço de evangelização, opção pelos pobres, movimento popular, consciência de ser “sujeito” de mudanças das estruturas injustas e lutas incansáveis por essa causa.

Integradas com os movimentos populares da época, as comunidades deram passos significativos, obtendo identidade própria, passando a ser reconhecidas e assumidas pela Igreja.

FRUTOS FORAM COLHIDOS:

Muitas lideranças receberam formação bíblica, teológica, eclesial, social na perspectiva da comunhão,  participação e transformação social. Assim, surgiram inúmeras organizações populares com ações concretas em favor da justiça, dos direitos humanos e dignidade vida.  

Os membros das comunidades saíram da clandestinidade, ganharam consciência, tornando-se mais difícil ser manipulados. Pessoas que eram discriminadas pela pobreza e pela falta de oportunidade de estudo passaram a participar de cursos, seminários em diversas áreas, análise de conjuntura, muitos voltaram à escola, universidade... 

Assas lideranças ganharam confiança em si mesmas passando a coordenar reuniões, presidir a celebração dominical, reivindicar junto às autoridades, entre outras...

As mulheres encontraram seu espaço, enfrentaram o peso imposto pela sociedade patriarcal e são elas, a maioria que lideram as CEBs.

3. Final da década de 80 e início do Novo Milênio - Tempo de silêncio e escuta.

No entanto, no limiar do 3º milênio a plantação parecia descuidada e muitos chegaram a afirmar que as CEBs estavam morrendo. Um número significativo dos que passaram por uma sólida experiência de fé e compromissos solidários dentro das comunidades continuaram na teimosia e jamais deixaram de crer nelas.

 

Mesmo com os desafios de não contar com a vibração de antes, sobretudo do apoio de grande parte da hierarquia da Igreja, muitas comunidades permaneceram fiéis e na teimosia, acreditando e confiando na força do Espírito Santo que as animará sempre.

As CEBs tem sua identidade construída nas suas próprias bases, a partir das experiências missionárias. Elas  desenvolvem um serviço de evangelização nas realidades de pobreza e de exclusão social, evangelização que é luz nos caminhos de fé e luta por direitos e por justiça, na busca da vida querida por Deus.

As CEBs integram fé e vida, tem como instrumento a Palavra de Deus e se referenciam, sobretudo, na ação evangelizadora e profética de Jesus e na prática das primeiras comunidades cristãs.

Elas se dispõem ao discipulado de Jesus. Em razão de sua coerência muitos de seus membros sofreram perseguições dando suas vidas, como é visível nos exemplos de tantos mártires da América Latina.

As CEBs podem e devem ser cada vez mais escolas que ajudam “a formar cristãos comprometidos com sua fé; discípulos e missionários do Senhor, como o testemunha a entrega generosa, até derramar o sangue, de muitos de seus membros” (DAp 178).

 

As CEBs celebram o testemunho dos Mártires da caminhada fortalecendo a fé e luta pela vida. Elas se dispõem ao discipulado de Jesus. Em razão de sua coerência muitos de seus membros sofreram perseguições dando suas vidas, como é visível nos exemplos de tantos mártires da América Latina.

As CEBs podem e devem ser cada vez mais escolas que ajudam “a formar cristãos comprometidos com sua fé; discípulos e missionários do Senhor, como o testemunha a entrega generosa, até derramar o sangue, de muitos de seus membros” (DAp 178).

4. A partir dos anos de 2007 as CEBs continuam escutando, mas com mais ousadia e com perspectivas. Mas muito desafiadas pela mudança de época.

Considerando a realidade atual

“A ciência e a técnica quando colocadas exclusivamente a serviço do mercado (...) criam uma nova visão da realidade” (DAp 45), mas isso não significa um passo em direção ao desenvolvimento integral proposto pela encíclica Populorum progressio e reafirmado pelo Papa Bento XVI em Caritas in Veritate, porque a lógica do mercado corrói a estrutura de sociabilidade básica que se expressa nas relações de tipo comunitário (...)”

As CEBs do século 21 sofrem as consequências da realidade da globalização e de um mundo em transição, numa situação de mudança de época. Nesta realidade, as CEBs estão buscando se renovar sem perder seus princípios; conscientizarem-se para as mudanças no campo da ética e da moral, da tecnologia e das questões ambientais.

APARECIDA RESGATA OS FUNDAMENTOS DAS CEBs

•Volta ao Doc. do Concilio Vaticano II
•Volta aos métodos de Medellín e Puebla, do Ver-julgar-agir (19).
•Opção pelos pobres (397,398,399)
•Opção pelas CEBs (176 – 179)
•Resgate da palavra libertação ou integral (385,399).
Missão (capítulos 07 e 08)

 

Os discípulos e as discípulas de    Cristo se reúnem nas CEBs para:   

•Uma atenta escuta da Palavra de Deus,
•A busca de relações mais fraternas,
•Celebrar os mistérios cristãos em sua vida
•Assumir o compromisso de transformação da sociedade.
   

 

“Sinal da vitalidade da Igreja”

(...) Os tempos se tornaram maduros para uma nova consciência histórica e eclesial:

•Pela emergência de um novo sujeito social na sociedade brasileira, o sujeito popular, que ansiava à participação;
•Pela emergência de um novo sujeito eclesial, portador de uma nova consciência na Igreja. Ele ansiava participar ativa e corresponsavelmente da vida e da missão da Igreja. Esse sujeito provoca novas descobertas e conversões pastorais (CNBB 25,7).

Vivência, anúncio e testemunho de fé 

São espaços privilegiados de leitura bíblica nas CEBs os círculos bíblicos e grupos de reflexão. Neles o povo se coloca como sujeito eclesial, assume seu lugar na comunidade e na sociedade. O protagonismo dos leigos nas CEBs é expressão viva de uma Igreja que se renova animada pelo Espírito Santo, é também um sinal de que no discipulado estão surgindo novos ministérios e serviços.

“O serviço dos pobres é medida   privilegiada, embora não exclusiva, do seguimento de Cristo”.

  Mais ainda, o surgimento das CEBs, junto com o compromisso com os mais necessitados, ajudou a Igreja a “descobrir o potencial evangelizador dos pobres”, primeiro, porque interpelam a Igreja, chamando-a à conversão; segundo, porque “realizam em sua vida os valores evangélicos da solidariedade, serviço, simplicidade e disponibilidade para acolher o dom de Deus” (DP  145 a 147).

Vocações

As vocações religiosas e sacerdotais despertadas pelas CEBs sinalizam vitalidade espiritual, comunhão eclesial e um novo estímulo de consagração a Deus.

O Doc. de Aparecida propõe:

•Reforma da Paróquia – subdivisão  em unidades menores (372)
•Pastoral social reforçada (401-404)
•Deixar o comodismo (362)
•Pastoral decididamente missionária e não de conservação (370).

 

As CEBs receberam apoio da Igreja Latina Americana para a sua vocação missionária. Aparecida convoca para o serviço da promoção humana, da libertação integral contribuindo para que os pobres sejam sujeitos do próprio desenvolvimento (399).

 “Queremos decididamente reafirmar e dar novo impulso à vida e a missão profética e santificadora das CEBs. Elas foram uma das grandes manifestações do Espírito na Igreja da AL e do Caribe depois do Vaticanos II”. (194)

As CEBs se referenciam no projeto da ação evangelizadora de Jesus: não exclui ninguem

As CEBs evangelizam conscientizando para um outro mundo possível: Economia solidária, mutirões,
movimento popular, luta pela terra e pela meio ambiente...
“Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”. (Jo 10,10)

As CEBs evangelizam conscientizando para um outro mundo possível: Economia solidária, mutirões,
movimento popular, luta pela terra e pela meio ambiente...

CEBs, jeito de ser, viver, celebrar, amar...

FONTES:

•Bíblia Ed Pastoral
•Documento de Aparecida
•CNBB da 48ª AG(Doc)
•BRIGHENTI, Agenor. A desafiante proposta de Aparecida. São Paulo: Paulinas, 2007.

  Organização da apresentação e comentários:

  Ir. Leonízia Izabel da Silva - leoizassd@yahoo.com.br